Síndrome da Cauda Equina

Dores na região inferior das costas afetam milhões de pessoas todos os anos, e na maioria dos casos, melhoram sem cirurgia. Porém, dores severas nas costas podem ser um sintoma de uma condição séria que não é muito bem conhecida e comumente diagnosticada de forma errada. A síndrome da cauda equina (SCE) ocorre quando as raízes nervosas da cauda equina são comprimidas e interrompem as funções motoras e sensoriais das extremidades inferiores e a bexiga. Pacientes com esta síndrome são frequentemente internados no hospital como uma emergência médica. A SCE pode levar à incontinência e inclusive à paralisia permanente.

O conjunto de nervos no final da medula espinhal é conhecido como a cauda equina, devido a sua semelhança com o rabo de um cavalo. A medula espinhal termina na porção superior da coluna lombar (parte inferior das costas). As raízes nervosas individuais no final da medula espinhal fornecem as funções motoras e sensoriais às pernas e bexiga, e continua ao longo do canal espinhal. A cauda equina é a continuação destas raízes nervosas na região lombar. Estes nervos enviam e recebem mensagens das extremidades inferiores e órgãos pélvicos.

 

Incidência

A SCE não está relacionada a sexo ou raça. Ocorre principalmente em adultos, embora possa afetar pessoas de todas as idades, quando relacionada a traumas. A síndrome da cauda equina afeta uma pequena porcentagem de pacientes que foram submetidos a cirurgia de hérnia de disco lombar.

 

Causas

A SCE comumente resulta de uma hérnia de disco massiva na região lombar. Uma tensão única excessiva ou lesão pode causar uma hérnia de disco. Contudo, o material do disco também se desgasta naturalmente com a idade, e os ligamentos que os mantêm no lugar começam a enfraquecer. Uma tensão relativamente menor ou um movimento de entorse pode causar o rompimento de um disco, devido à progressão do desgaste.

 

Outras causas potenciais da SCE são:

  • Tumores e lesões da coluna;

  • Infecções ou inflamação da coluna;

  • Estenose da coluna lombar;

  • Lesões violentas na região inferior das costas (lesão por arma de fogo, quedas, acidentes de carro);

  • Anomalias congênitas;

  • Malformações arteriovenosas da coluna (MAVs);

  • Hemorragias na medula espinhal (subaracnóideo, subdural, epidural);

  • Complicações pós-operatórias da cirurgia da coluna lombar; e

  • Raquianestesia.

 

Sintomas e Diagnóstico

Os sintomas da SCE são semelhantes àquelas de outras condições, como por exemplo, uma hérnia de disco. Podem variar em intensidade e evoluir lentamente com o tempo. A síndrome é acompanhada por uma variedade de sintomas, e a severidade depende do grau de compressão e das raízes nervosas específicas que estão sendo comprimidas. Além de uma hérnia de disco, outras condições com sintomas similares incluem doença do nervo periférico, síndrome do cone medular, compressão da medula espinhal e irritação ou compressão dos nervos após saírem da coluna vertebral e viajarem através da pélvis, condição conhecida como plexopatia lumbosacra.

 

Pacientes com dor nas costas devem estar atentos aos seguintes sintomas que podem indicar uma síndrome da cauda equina:

  • Dor severa na porção inferior das costas;

  • Fraqueza motora, perda sensorial ou dor em uma ou, mais comumente, nas duas pernas;

  • Anestesia em sela (não sente nada nas áreas do corpo usadas para sentar);

  • Aparecimento recente de disfunção da bexiga (tal como retenção urinária ou incontinência);

  • Aparecimento recente de incontinência intestinal;

  • Anomalias sensoriais na bexiga ou reto;

  • Aparecimento recente de disfunção sexual; e

  • Perda dos reflexos nas extremidades.

 

Implicações de histórico médico:

  • Lesão violenta recente nas costas;

  • Cirurgia recente da coluna lombar;

  • Histórico de câncer; e

  • Infecção severa recente.

 

Os seguintes exames podem ser úteis para diagnosticar a SCE:

  • Imagem por Ressonância Magnética (IRM): Exame diagnóstico que produz imagens tridimensionais das estruturas corporais usando campos magnéticos e tecnologia computacional. A IRM produz imagens da medula espinhal, raízes nervosas e áreas circundantes.

  • Mielograma: Raio-X do canal espinhal após a injeção de um material contrastante nos espaços do líquido cefalorraquidiano circundantes; pode apresentar deslocamentos da medula espinhal ou raízes nervosas devido a hérnias de discos, esporões ósseos, tumores, etc.

 

Tratamento

Uma vez diagnosticada a SCE e estabelecida a etiologia, uma cirurgia de emergência é normalmente o tratamento de escolha. O objetivo é reverter os sintomas da disfunção neural. Se não for tratado, a SCE pode resultar em paralisia permanente e incontinência.

Pacientes sofrendo qualquer um dos sintomas mencionados devem consultar um neurocirurgião o quanto antes. Cirurgia imediata é o melhor tratamento para pacientes com a síndrome. O tratamento em pacientes dentro das primeiras 48 horas após o aparecimento da síndrome proporciona uma vantagem significativa na melhora dos déficits sensorial e motor assim como funções urinária e retal. Os pacientes que se submetem a cirurgia após o tempo ideal de 48 horas podem experimentar melhoras consideráveis.

Embora exista lenta recuperação a curto prazo da função da bexiga após a reversão do déficit motor das extremidades inferiores, a função pode melhorar anos após à realização da cirurgia. Depois do procedimento cirúrgico, tratamento medicinal combinado com auto-cateterismo intermitente pode ajudar a uma recuperação estável, embora lenta, das funções da bexiga e intestinal.

 

Lidando com a SCE

A SCE pode afetar as pessoas tanto física quanto emocionalmente, em particular se for crônica. Pacientes com a síndrome podem não ter mais condições de trabalhar, seja por causa da dor severa, problemas de incontinência socialmente inaceitável, fraqueza motora e perda sensorial, ou uma combinação desses problemas.

 

A perda do controle da bexiga e do intestino pode ser extremamente aflitivo e ter um impacto altamente negativo na vida social, no trabalho e no relacionamento. Pacientes com a SCE podem desenvolver infecções urinárias frequentes. A disfunção sexual pode ser devastadora para o paciente e para seu parceiro, podendo levar a dificuldades no relacionamento e depressão.

A dor severa causada pelos nervos pode exigir medicação com prescrição e os efeitos colaterais podem causar problemas adicionais. Se a dor for crônica, pode se tornar “centralizada” e irradiar para outras áreas do corpo. A dor causada pelos nervos tende a ser pior durante a noite e pode interferir no sono. Este tipo de dor tende a produzir uma sensação de ardência que pode se tornar constante e insuportável. A perda sensorial pode variar de dormência até o entorpecimento completo, e pode afetar a bexiga, o intestino e as áreas genitais. A fraqueza nas pernas é comum e pode contribuir com problemas para caminhar.

É essencial que pacientes com a SCE recebam suporte emocional de uma rede de amigos e membros familiares, se possível. É importante ter acompanhamento do seu médico na administração de medicamentos e da dor. Há vários medicamentos prescritos para tratar a dor, e problemas com a bexiga e o intestino. Adicionalmente, alguns pacientes afirmam que a fisioterapia e o acompanhamento psicológico ajudam a lidar com a síndrome da cauda equina.

Fonte: American Association Neurological Surgeons - www.aans.org

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