Concussão

Uma concussão é uma lesão no cérebro que resulta em uma perda temporária da função cerebral normal. Usualmente é causada por um golpe na cabeça. Em muitos casos, não há sinais externos de trauma na cabeça. Muitas pessoas acreditam que as concussões envolvem perda da consciência, mas não é verdade. Em muitos casos, uma pessoa com uma concussão nunca perde a consciência.

A definição médica formal de uma concussão é uma síndrome clínica caracterizada pela alteração imediata e momentânea da função cerebral, incluindo as alterações do estado mental e nível de consciência, resultado de uma força mecânica ou trauma.

As pessoas que têm uma concussão comumente não conseguem lembrar o que aconteceu imediatamente antes ou depois da lesão e pode agir de forma confusa. Uma concussão pode afetar a memória, o juízo, os reflexos, a fala, o equilíbrio e a coordenação muscular. Os paramédicos e técnicos que têm a suspeita de que uma pessoa sofreu uma concussão podem perguntar à pessoa em questão se sabem o seu próprio nome, qual é o mês/ano e onde eles estão.

Mesmo as concussões leves devem ser levadas a sério. Os neurocirurgiões e outros especialistas em lesões cerebrais destacam que embora algumas concussões sejam menos graves que outras, não existe uma “concussão menor”. Na maioria dos casos, uma concussão simples não deveria causar danos permanentes. Uma segunda concussão logo após a primeira, contudo, não tem que ser muito forte para que seus efeitos sejam fatais ou incapacitantes permanentemente.

Incidência

De acordo com o Centro de Pesquisas de Traumas Cerebrais da Universidade de Pittsburgh, mais de 300.000 concussões ocorrem nas práticas esportivas anualmente nos Estados Unidos, e a probabilidade de sofrer uma concussão enquanto se joga um esporte de contato é de aproximadamente 19% por ano de jogo. Mais de 62.000 concussões são contadas a cada ano em esportes de contato do ensino médio.

 

Dentre dos jogadores de futebol americano, 34% já tiveram uma concussão, e 20% já sofreram múltiplas concussões. Dos jogadores de futebol americano da faculdade e do ensino médio, entre 4 e 20% terão uma lesão cerebral durante uma temporada. O risco de uma concussão no futebol americano é de três a seis vezes maior em jogadores que já tiveram uma concussão prévia.

Um estudo realizado pela Universidade McGill em Montreal revelou que 60% dos jogadores de futebol americano da faculdade relataram sintomas de uma concussão pelo menos uma vez durante a temporada. O estudo também revelou que as taxas de concussão em jogadores de futebol eram comparáveis com aquelas dos jogadores de futebol americano.

 

De acordo com o estudo, os atletas que sofreram uma concussão eram de quatro a seis vezes mais propensos a sofrer uma segunda concussão. Pesquisas como esta conduziram a um maior interesse em desenvolver equipamentos de proteção para a cabeça para os jogadores de futebol mas não está muito claro se tais equipamentos realmente reduzem o risco de uma concussão.

Durante a Copa do Mundo de 2014, as concussões sofridas pelos jogadores de futebol participantes reiniciaram o debate sobre o manejo das concussões após um jogador da Alemanha levar um golpe na cabeça e continuar jogando, sendo assistido para sair do campo um tempo depois. A Major League Soccer (Grande Liga de Futebol) criou um comité de concussão em 2010 e instituiu um exame base neuropsicológico obrigatório para os jogadores.

 

Agora, os jogadores devem ser retirados de um jogo imediatamente caso mostrem sinais de uma lesão na cabeça. Caso uma série de exames cognitivos derem resultados negativos, o jogador deve ver um especialista antes de retornar ao jogo e deve permanecer 24 horas livre de sintomas para poder voltar a jogar. No entanto, muitos estão preocupados em relação às regras, ao não serem estritamente aplicadas. Dr. Riley Williams, o médico da equipe do New York Red Bulls, ressaltou, “Sempre há uma diferença entre o que a política diz e a aplicação real da política no campo”. A FIFA, a liga internacional que regula a Copa do Mundo, deixa a decisão nas mãos de cada time.

Sintomas

Assim como nas concussões, as lesões leves no cérebro podem não ser observáveis nos exames neurológicos de rotina. Os exames de diagnóstico, tipicamente não mostram mudanças. Portanto, o diagnóstico é baseado na natureza do incidente e na presença de sintomas específicos, sendo o principal sintoma a confusão.

Os três aspectos essenciais da confusão são:

  • Incapacidade de manter uma corrente de pensamento coerente;

  • Uma perturbação da consciência com distração aumentada; e

  • Incapacidade de realizar uma sequência de movimentos direcionados ao gol.

 

Os sintomas de uma concussão são:

  • Dor de cabeça prolongada;

  • Perturbação da visão;

  • Tontura;

  • Náuseas ou vómitos;

  • Perturbação do equilíbrio;

  • Confusão;

  • Perda da memória;

  • Zumbido no ouvido;

  • Dificuldade para se concentrar;

  • Sensibilidade à luz; e

  • Perda do olfato ou gosto.

 

Caso algum destes sintomas apareça após um golpe na cabeça, ajuda profissional deve ser consultada no mais breve possível.

 

Concussões e Lesões na Cabeça

O crânio protege o cérebro de traumas, mas não absorve todo o impacto de uma força violenta. O cérebro é almofadado dentro do crânio pelo líquido cefalorraquidiano circundante. Apesar disso, um golpe repentino na cabeça, ou mesmo uma desaceleração rápida, pode causar o contato do cérebro com o lado interno do crânio. Há uma grande chance de romper vasos sanguíneos, puxar as fibras nervosas e causar hematomas na matéria cerebral.

Às vezes, o golpe pode resultar em um dano microscópico às células cerebrais sem evidências de danos estruturais visíveis em uma TC. Em casos severos, o tecido cerebral pode inchar. Uma vez que o cérebro não pode sair do espaço rígido do crânio, um inchaço severo pode comprimir o cérebro e seus vasos sanguíneos, limitando o fluxo sanguíneo. Sem um fluxo sanguíneo adequado, o cérebro não recebe o oxigênio e glicose necessários. Um acidente vascular encefálico pode ocorrer. O inchaço do cérebro após uma concussão tem o grande potencial de aumentar a gravidade da lesão.

Um golpe na cabeça pode causar uma lesão cerebral inicial mais severa. Uma contusão é um hematoma no tecido cerebral que envolve o sangramento e o inchaço do cérebro. Uma fratura no crânio ocorre quando o osso da cabeça quebra. Uma fratura no crânio sozinha pode não necessariamente ser uma lesão grave. Por vezes, no entanto, os ossos quebrados do crânio podem causar um sangramento ou outros danos ao cortar o cérebro ou suas membranas protetoras.

Um hematoma é um coágulo de sangue que se acumula no cérebro ou ao redor. Se o sangramento ativo persiste, os hematomas podem rapidamente aumentar seu tamanho. Assim como com o inchaço, o aumento na pressão no espaço rígido do crânio (devido à expansão do coágulo) pode causar problemas neurológicos graves, e pode inclusive apresentar risco de vida. Alguns hematomas são emergências cirúrgicas. Os hematomas que são pequenos podem passar desapercebidos inicialmente, mas podem causar sintomas e precisar de tratamento após vários dias ou semanas.

Os sinais de aviso de uma lesão cerebral grave são:

  • Dor: dor de cabeça constante ou recorrente;

  • Disfunção motora: Incapacidade de controlar ou coordenar as funções motoras, ou perturbação do equilíbrio;

  • Sensorial: Alterações na capacidade de ouvir, sentir gosto ou ver; tontura; e hipersensibilidade à luz ou som;

  • Cognitivo: Períodos de atenção menores, distração fácil, sobre estimulação pelo ambiente; dificuldade para se manter focado em uma tarefa, seguir instruções ou entender informações; sensação de desorientação, confusão e outras deficiências neurológicas; e

  • Fala: Dificuldades para achar a palavra “certa”; dificuldades para expressar palavras ou ideias; disartria.

 

Procure ajuda médica imediata caso algum desses sinais de aviso acontecer.

 

Manejo das Concussões: Protocolo da Liga Nacional de Futebol Americano (NFL)

Cada jogador e cada concussão é única, portanto, não há um prazo específico para a recuperação e a volta aos jogos nas orientações atuais da NFL. A decisão de deixar um jogador que sofreu uma concussão retornar aos treinos e jogos fica na mão do médico do time designado para manejar os protocolos de concussão e é confirmado por um Consultor Neurológico Independente (CNI), consultado especificamente em relação à saúde neurológica do jogador.

Uma vez diagnosticada uma concussão em um jogador, o protocolo chama por um mínimo de monitoramento diário. A exposição de concussões passada, histórico médico e histórico familiar do jogador são considerados, criando uma visão mais completa da sua saúde. O protocolo progride através de uma série de etapas, passando para a próxima apenas quando todas as atividades na etapa atual são toleradas sem recorrência dos sintomas. A comunicação entre o jogador e a equipe médica durante o protocolo é essencial.

O primeiro passo é repousar. Durante este tempo, além de evitar esforço físico, o jogador deve evitar equipamentos eletrônicos, mídia social e inclusive reuniões da equipe até os sinais e sintomas retornarem ao nível base. A próxima etapa introduz exercícios aeróbicos leves, que são desenvolvidos sob a observação direta da equipe médica do time. Caso os exercícios aeróbicos sejam tolerados, o médico do time irá reintroduzir o treino de fortalecimento.

 

A quarta etapa inclui algumas atividades específicas do futebol americano sem contato, e a quinta etapa, que está relacionada à liberação do jogador para retornar completamente às atividades do futebol americano, acontece apenas quando os exames neurocognitivos permanecem na linha base e não há recorrência dos sintomas de uma concussão.

Quando o médico do time libera o jogador, ele tem um exame final realizado pelo CNI assinado ao time. Como parte deste exame, o CNI revisará todos os relatórios e exames documentados durante a recuperação do jogador. Uma vez confirmada a conclusão do médico do time pelo CNI, o jogador é liberado e é elegível para uma participação completa no próximo jogo ou treino.

Este protocolo permite que os jogadores se recuperem a seu próprio ritmo, inclui a perícia do médico do time assim como a do consultor neurológico, e especificamente inclui uma avaliação não apenas da concussão mais recente, mas também considera o histórico médico do jogador.

Atualização NCAA

O manual de Medicina Esportiva 2011-2012 da Associação Atlética Colegial Nacional (National Collegiate Athletic Association – NCAA) inclui uma seção chamada “Concussão ou Lesão Cerebral Traumática Leve (LCTl) no Atleta” que destaca, “Nos anos de 2004 a 2009 a taxa de concussão durante jogos para cada 1.000 atletas expostos por futebol americano foi de 3,1; para lacrosse masculino, 2,6; para hóquei sobre gelo masculino 2,4; para hóquei sobre gelo feminino 2,2; para futebol feminino 2,2; para luta 1,4; para futebol masculino 1,4; para lacrosse feminino 1,2; para hóquei sobre grama 1,2; para basquete feminino 1,2; e para basquete masculino 0,6, responsável por 4 a 16,2% das lesões por estes esportes, como relatado pelo Programa de Vigilância de Lesões NCAA (NCAA Injury Surveillance Program) pelo Centro Datalys”. O NCAA define uma concussão ou uma lesão cerebral traumática leve como “um processo patofisiológico complexo que afeta o cérebro, induzido por forças biomecânicas traumáticas”.

O manual também declara, “as instituições membros da NCAA devem ter um plano de manejo de concussões para seus alunos-atletas no arquivo com componentes específicos como descrito no Bylaw 3.2.4.16 (vide Guia 2i)”.

 

O plano:

  • Exige que os alunos-atletas recebam informações sobre os sinais e sintomas de uma concussão. Eles também precisam assinar uma declaração que eles são responsáveis de relatar lesões à equipe médica.

  • Obriga às instituições a fornecer um processo para retirar um aluno-atleta que mostre sinais de uma concussão. Os alunos-atletas que mostrem sinais de concussão devem ser avaliados por um membro da equipe médica com experiência na avaliação e manejo de concussões antes de que possam voltar ao jogo.

  • Proíbe que um aluno-atleta com sintomas de uma concussão retorne ao jogo no dia do incidente.

  • Exige que os alunos-atletas diagnosticados com uma concussão sejam liberados por um médico ou um médico designado antes de que sejam permitidos retornar ao campo.

 

Os sinais de uma concussão, de acordo com a NCAA, são:

  • Amnésia;

  • Confusão;

  • Dor de cabeça;

  • Perda da consciência;

  • Problemas de equilíbrio;

  • Visão dupla ou borrada;

  • Sensibilidade à luz ou barulho;

  • Náuseas;

  • Sensação de lentidão;

  • Problemas de concentração ou memória;

  • Tempo de reação retardado; e

  • Sensação de irritabilidade incomum.

 

O manual da NCAA inclui muita mais informação sobre concussões a partir da página 55 no site http://www.ncaapublications.com/productdownloads/MD11.pdf. A NCAA também recomenda olhar o vídeo de atenção da Associação Nacional de Treinadores Atléticos (National Athletic Trainers' Association's Heads Up video), que dá uma visão mais próxima aos tipos de lesões na cabeça aos que estão expostos e como elas acontecem usando imagens reais de jogos de futebol americano, por exemplo.

 

Tratamento

O tratamento padrão para uma concussão é o repouso. Para dores de cabeça, acetaminofen (Tylenol) pode ser administrado. Dores de cabeça após a concussão normalmente são resistentes a medicamentos forte baseados em narcóticos.

Síndrome pós-concussão

As pessoas que sofrem uma lesão na cabeça podem ter efeitos colaterais que persistem por semanas ou meses. Isto é conhecido como a síndrome pós-concussão. Os sintomas incluem problemas de memória e concentração, mudanças de humor, alterações na personalidade, dores de cabeça, fadiga, tontura, insónia e sonolência excessiva.

 

Os pacientes com a síndrome pós-concussão devem evitar atividades que os coloquem em risco de uma segunda concussão. Os atletas não devem retornar ao jogo ou treinos enquanto sofrem destes sintomas. Os atletas que sofrem uma concussão repetida devem considerar o encerramento das participações no esporte.

Síndrome do Segundo-Impacto

A síndrome do segundo impacto resulta de um inchaço agudo, frequentemente fatal, que ocorre quando uma segunda concussão acontece antes de que haja uma recuperação completa de uma concussão prévia. Acredita-se que isto cause congestão vascular e aumente a pressão intracraniana, o que pode acontecer rapidamente e pode ser difícil ou impossível de controlar.

 

O risco de uma síndrome de segundo impacto é mais alto em esportes como o boxe, futebol americano, hóquei sobre gelo ou grama, futebol, beisebol, basquete e esqui. O CDC relata uma média de 1,5 mortes por ano por concussões no esporte. Na maioria dos casos, a concussão final ocorre após uma outra concussão prévia, normalmente não diagnosticada.

Dicas de Prevenção de Lesões na cabeça

Compre e use capacetes ou equipamentos esportivos de proteção para a cabeça específicos aprovados pela Sociedade Americana de Provas e Materiais (American Society for Testing and Materials – ASTM) 100% do tempo. A ASTM tem padrões rigorosos para os testes de capacetes para muitos esportes; os capacetes aprovados pela ASTM têm um adesivo como comprovante.

 

Os capacetes e equipamentos para a cabeça são feitos de diferentes tamanhos e estilos para muitos esportes, e devem se ajustar apropriadamente para fornecer proteção máxima contra lesões na cabeça. Além de outros trajes ou equipamentos de segurança, os capacetes ou equipamentos para a cabeça devem ser usados o tempo todo para:

  • Beisebol (quando é o momento de bater a bola);

  • Ciclismo;

  • Futebol americano;

  • Hóquei;

  • Equitação;

  • Veículos motorizados com fins de lazer;

  • Skates/patinete;

  • Esqui; e

  • Luta.

 

Os equipamentos para a cabeça são recomendados por muitos especialistas em segurança no esporte para:

  • Artes Marciais;

  • Salto com vara; e

  • Futebol.

 

Dicas de Esportes

  • Supervisione as crianças mais novas o tempo todo, e não deixe usarem equipamentos esportivos ou jogar esportes inadequados para a faixa etária;

  • Não pule de cabeça em águas com menos de 3 metros de profundidade ou em piscinas acima do chão;

  • Obedeça todas as instruções em parques aquáticos e piscinas;

  • Use trajes apropriados para o esporte;

  • Não use trajes que possam interferir na visão;

  • Não participe em esportes quando estiver doente ou muito cansado;

  • Obedeça todos os sinais de trânsito e preste atenção aos motoristas quando estiver usando uma bicicleta ou um skate;

  • Realize checagens de segurança dos campos esportivos, parques e equipamentos; e

  • Descarte e substitua equipamentos esportivos ou de segurança caso estiverem danificados.

 

Dicas Gerais

  • Use o cinto de segurança toda vez que estiver dirigindo ou usando um veículo motorizado.

  • Nunca dirija quando estiver sob a influência de álcool ou drogas, ou viaje como passageiro com outra pessoa que esteja sob a influência.

  • Mantenha as armas de fogo descarregadas em um armário trancado ou em um cofre, e guarde as munições em um local separado e seguro.

  • Remova os perigos de casa que podem contribuir com quedas. Prenda os tapetes e fios elétricos soltos, guarde os brinquedos, use portas de segurança e instale telas de segurança nas janelas. Instale corrimãos e barras de apoio se você for frágil ou idoso.

 

Notas Adicionais:

As lesões neurocirúrgicas esportivas foram o foco da edição de Novembro de 2011 da Revista de Neurocirurgia (Journal of Neurosurgery). Incluiu os resultados de 451 pacientes de um estudo relacionado aos mecanismos e consequência das lesões na cabeça que referencia uma pesquisa anônima. Essa pesquisa mostrou que mais de 46% dos jogadores de futebol universitários sofreram uma concussão em apenas uma temporada, e quase dois terços do mesmo grupo sofreram uma concussão no período de 12 meses em que jogaram futebol. Um outro artigo descreve um novo aplicativo para smartphone desenhado para testar uma concussão no campo.

 

 

Fonte: American Association Neurological Surgeons - www.aans.org

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