Instrumentador cirúrgico: o braço direito do cirurgião

28/01/2019

Joseane Pereira, instrumentadora do INAO, fala sobre o trabalho deste indispensável profissional, que desempenha papel fundamental na realização de qualquer tipo de procedimento cirúrgico 

 

 

 

Durante uma cirurgia os pacientes e familiares na maioria das vezes só conhecem o cirurgião, e nem imaginam a quantidade de profissionais que estão envolvidos no procedimento. Nesta entrevista, Joseane Pereira, Técnica de Enfermagem especializada em instrumentação neurocirúrgica, fala sobre o trabalho dos instrumentadores e em especial dos que assessoram as neurocirurgias, uma das mais complexas especialidades médicas.

 

 

P. Muitos pacientes não têm ideia da quantidade de profissionais que trabalham num centro cirúrgico e da importância do serviço que eles desempenham. Você poderia nos contar hoje o que faz um instrumentador?

R. Na realidade, o instrumentador é uma parte muito importante no centro cirúrgico, porque ele faz com que a cirurgia aconteça. Ele prepara todos os equipamentos, verifica se o material pra cirurgia se está todo pronto e fornece todo o material e equipamentos durante o ato cirúrgico. No meu ponto de vista, ele é o braço direito do cirurgião. Sem o instrumentador, fica muito difícil o cirurgião atuar. Porque ele é a pessoa que vai pensar a frente do cirurgião, qual o instrumental que vai ser necessário durante a cirurgia e também caso eventualmente aconteça alguma intercorrência. Mesmo que não haja intercorrência, mas o cirurgião tem que ter a certeza que, caso necessário, todo o material vai estar ali disponível pra ele, pra que não haja nenhuma surpresa na hora do procedimento.

 

P. Quando ele chega no centro cirúrgico, todo o material, as pinças, as tesouras, tudo já deve estar pronto praquele tipo de cirurgia? Vocês tem que ter um conhecimento muito profundo de tudo que acontece numa cirurgia, não é?

R. A gente tem que ter um conhecimento não só em pinças, mas da cirurgia em si que vai acontecer. Por exemplo, se ele fala que vai ter um tumor de fossa posterior, então eu já sei os afastadores que ele vai usar, as pinças que ele vai usar. Se vai ser um tumor de coluna, já sei quais as pinças praquele tipo de cirurgia. Quais os equipamentos vão ser usados, a posição do paciente na mesa cirúrgica. Então a gente tem que estar um passo à frente do cirurgião; lógico que com a orientação dele, né. Então, sempre há uma conversa entre cirurgião e instrumentador, sempre tem que existir um diálogo entre eles dois. Mas em cada momento da cirurgia a gente já tem que saber, antes de ele pedir, o que vai precisar, e vai já preparando.

 

 

P. E como é ser instrumentadora de neurocirurgia?

R. Nossa, ser instrumentador de neurocirurgia não é fácil. Primeiro você tem que ter uma resistência muito boa, porque passa muito tempo em pé, são muitas horas de cirurgia, e bastante complexas. Além disso, a cirurgia pra nós já começa um dia antes, porque a gente já tem que se preparar pra o que vai acontecer na cirurgia, se o material está correto, se foi entregue, se está tudo ok. O instrumentador já trabalha muito antes da cirurgia começar. E no ato cirúrgico a gente tem que ter um preparo físico e psicológico muito bons, porque caso haja alguma intercorrência a gente tem que se manter emocionalmente estável e firme junto com o cirurgião.

 

P. Os instrumentadores do INAO são bastante especializados em neurocirurgia. Como que se atinge esse nível de especialização?

R. Não tem curso pra instrumentador de neurocirurgia. É na prática que a gente aprende. Você escolhe o que quer fazer e vai fundo, vai estudando, vai se aperfeiçoando. Vai conhecendo material diferente, vai aprendendo a trabalhar como ele. Um cirurgião que tem uma técnica diferente, então você vai adquirindo conhecimento, e é questão de tempo e de vontade, mais do que tudo. E eu tenho que dizer que os cirurgiões do INAO são muito bons. Eu aprendi tudo pela oportunidade que eles me deram e pela paciência que eles tiveram comigo. E você tem que gostar. Se não gostar, não tem jeito.

 

P. A neurocirurgia é um ramo da medicina que envolve muita tecnologia, então existe muita exigência de atualização constante dos instrumentadores, não é?

R. Sim, sempre tem uma coisa nova na neurocirurgia, que você tem que aprender, se atualizar. Agora mesmo, temos um microscópio novo no Hospital Nove de Julho, a gente tem que estudar e aprender a manusear. Porque os cirurgiões vão chegar, vão colocar o paciente na sala e vão querer tudo pronto. Então é muito importante que a equipe toda esteja afiada, organizada e interagindo. São cirurgias cansativas, complexas e estressantes, então todo mundo tem que pensar da mesma forma, senão as coisas não andam.

 

 

 

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