Agnosia, a incapacidade de reconhecer o mundo pelos sentidos

Lesões no cérebro podem causar estranhas deficiências, como incapacidade de ler ou de reconhecer objetos pela visão

Já imaginou como seria a sua vida se acordasse um dia e fosse incapaz de reconhecer o rosto das pessoas, até mesmo dos seus filhos? Ou se não soubesse a diferença entre um celular e um chapéu, ou até mesmo se perdesse totalmente a capacidade de conseguir ler, apesar de ter feito isso normalmente durante toda sua vida?

Não se trata de um filme de terror, mas de um problema neurológico raro, conhecido como agnosia. Ela ocorre geralmente após um trauma na cabeça, um acidente vascular cerebral ou mesmo alguma doença neurológica, como a meningite, causando uma lesão em alguma parte específica do cérebro.

Essa lesão causa uma deficiência na conexão entre o cérebro e os sentidos, como a visão, audição ou tato. O olho ou o ouvido continuam funcionando normalmente, mas o cérebro perde a capacidade de processar corretamente a informação captada por eles.

Há vários tipos de agnosia, dependendo da área do cérebro afetada, mas em regra apenas um dos sentidos costuma ser comprometido em cada paciente:

  • Tátil: incapacidade de identificar objetos através do toque. Por exemplo, não consegue diferenciar uma colher de um garfo ou de um isqueiro.

  • Visual: incapacidade de nomear e categorizar objetos. Por exemplo, ser incapaz de reconhecer uma bola e nomeá-la quando a vê.

  • Espacial: dificuldade para se orientar e criar mapas mentais. Por exemplo, ser incapaz de reconhecer os cômodos da casa onde vive.

  • Auditiva: problemas para reconhecer estímulos sonoros. Por exemplo, não consegue distinguir os instrumentos das vozes em uma música.

  • Corporais: problemas para identificar o próprio corpo. Por exemplo, acreditar que os membros pertencem a outra pessoa porque não os identificam como seus.

  • Motoras: também conhecidas como apraxias, referem-se às dificuldades de lembrar e executar movimentos aprendidos, como por exemplo, colocar uma camisa nas pernas.

Nas agnosias visuais, podem ocorrer deficiências associativas, quando o cérebro “enxerga” perfeitamente o objeto, mas não consegue encontrar o seu significado. Assim, o paciente olha para uma chave, mas não sabe dizer se aquilo é uma colher, um cachorro, ou um sapato. No entanto, se ao invés de olhar, o paciente tocar o objeto, o reconhecimento ocorre facilmente.

Outra agnosia visual é a prosopagnosia, quando a pessoa é incapaz de reconhecer rostos. É como se todos as pessoas ao seu redor tivessem a cara de um manequim de loja, todas iguais, não importa se forem homens, mulheres, jovens ou idosos. O prosopagnóstico acaba desenvolvendo outras estratégias de reconhecimento, como uma verruga, cicatrizes, o formato do corpo, acessórios, etc.

Outro estranho tipo de agnosia visual é a simultanagnosia ventral. Nessa deficiência, o cérebro não consegue atribuir sentido a mais de um objeto ao mesmo tempo. Isso acaba impossibilitando o processo de leitura, em que é indispensável o reconhecimento de várias letras e palavras de forma automatizada.

O tratamento das agnosias é complexo. Quando não é possível reverter a lesão no cérebro causadora da deficiência, o tratamento consiste em auxiliar o paciente a conviver com sua característica, encontrando estratégias para contornar o déficit sensorial específico de cada paciente.

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