Dra. Juliana explica uso de toxina botulínica para controle de enxaqueca

Uso do produto é popular em tratamentos estéticos, mas tem largo uso na neurologia

Você sabia que é possível fazer aplicação de toxina botulínica para controle da enxaqueca? Sim, o produto é muito conhecido para tratamentos dermatológicos, mas na verdade sua utilização terapêutica é muito anterior à estética. Atualmente, a toxina é uma arma poderosa para tratamentos médicos de diversas áreas, e na neurologia tem apresentado excelentes resultados no tratamento da enxaqueca.

Dra. Juliana Farina, Neurologista do INAO, explica que a toxina não é a primeira opção no tratamento para as dores de cabeça, mas que, se corretamente indicado, funciona muito bem, principalmente quando associado a outros medicamentos tradicionais.

“É necessário primeiro conhecer o histórico do paciente, sua rotina de vida, e saber quais são os gatilhos da sua enxaqueca. Nós utilizamos a toxina principalmente nos casos desencadeados por estresse. Se a causa for alimentar, por exemplo, de nada adianta aplicar a toxina”, ressalta a médica.

No tratamento, o produto pode ser aplicado em até 33 pontos, localizados na face, couro cabeludo, nuca, coluna cervical e ombros, e deve ser reaplicada a cada 3 meses, pois seu efeito é temporário. Dra. Juliana ressalta a importância de procurar um neurologista para o tratamento da enxaqueca com toxina botulínica, pois é o profissional capacitado para isso.

“Não adianta sair aplicando a toxina em qualquer ponto. Quando mal aplicado, além de não surtir o efeito desejado, ainda pode deixar o paciente com sequelas por três meses. Por exemplo, pode ficar com os músculos da face tortos, com a pálpebra caída. Então, é super importante procurar o profissional capacitado”, alerta.

Dificuldades

Por ser um tratamento relativamente novo para a enxaqueca, muitos pacientes têm relatado dificuldades para autorização junto aos convênios.

“As vezes o plano de saúde não autoriza nada, ou autoriza pra outras doenças e não para a enxaqueca. Ocorre também de autorizar a aplicação, mas não fornecer a toxina, e o paciente tem que comprar do próprio bolso, e é um produto caro. Ou as vezes o plano autoriza, mas quer mandar o paciente para outro especialista fazer a aplicação, não pro neurologista. Então, não tem sido fácil prescrever a toxina botulínica pra tratar a enxaqueca”, lamenta Dra. Juliana.

Assim, é recomendável a cada paciente verificar junto ao seu convênio médico se o tratamento está coberto e decidir, junto ao seu neurologista, quais as opções de tratamento. Além da enxaqueca, o a toxina botulínica também é utilizada na neurologia para o tratamento de diversas enfermidades, como blefaroespasmo, que é a contração involuntária da pálpebra; para nevralgia herpética, uma consequência da infecção por herpes zoster; e até mesmo para melhorar a espasticidade de pacientes com sequelas de AVC, que ficam com os membros enrijecidos.

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